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28 de dez. de 2011

O Namorado da Minha Melhor Amiga - capítulo um


Eu estava há muito tempo longe de casa, sem me comunicar com ninguém, mas acho que foi preciso. Talvez até fundamental pra minha recuperação. Perder os meus pais daquela forma, quem poderia suportar? Só mesmo uma temporada na casa da minha avó na luminosa Paris seria capaz de me fazer suportar a dor que estava sentindo. Cortei contato com todos os que eu conhecia aqui. Tudo nesse lugar me fazia lembrar os meus amados pais e a última coisa de que queria me lembrar era de como eles me faziam falta. Agora eu estava voltando pro lugar onde eu morei por anos. Estava na hora de superar a dor. Eu tinha que ser forte o bastante pra encarar isso.
Quando o avião sobrevoava a região, imediatamente reconheci o lugar onde eu fui tão feliz. Aquele sol só poderia existir aqui. E não havia nada que eu gostasse mais do que o calor do sol, nem os charmosos caras franceses me fariam mudar de ideia. Senti algo no estômago, será que comi algo estragado? Não, devia ser apenas a ansiedade de encontrar os meus amigos e a família que me restou. Certamente tia Adele e Brigitte estariam no aeroporto me aguardando. Embora eu fosse maior de idade e fosse ficar no apartamento que eram dos meus pais sozinha. Ops! Sozinha não, tinha o chato do Pierre, o meu irmão mais velho. Duvido que ele fosse me buscar. Nós sempre brigamos muito, mas acho que no fundo nós nos amávamos.
- Melanie querida! – gritou tia Adele lá do outro lado do vidro, eu apenas acenei.
- Mel! – foi só o que minha prima Brigitte disse e logo me abraçou.
- Como é pirralha? A vovó está bem? – sim, Pierre tinha ido me buscar. Imagina se ele ia perder a oportunidade de me perturbar – essas malas são todas suas? Pelo visto você trouxe a Torre Eiffel na bagagem – ele disse.
- Fez boa viagem querida? – tia Adele tinha a mania insuportável de me chamar de querida.
- Fiz sim tia – respondi – vamos nos divertir muito juntas não é Brigitte? – disse isso e pisquei pra ela. Minha prima era minha companheira de balada, ela me entendia muito bem. Sair com ela era sempre bom, ela nunca me julgava quando eu saía com 3 caras ao mesmo tempo. Costumava dizer que estava com ela, enquanto na verdade eu estava por ai. E ela a mesma coisa. Brigitte não ficava atrás, a beleza era algo herdado de família. Embora eu me achasse muito mais bonita que ela, afinal eu era mais alta, mais magra, e mais rica, é claro!
- Tenho uma festa pra gente ir essa noite – Brigitte disse piscando pra mim.
- Opa! Festa? Mal cheguei, tem que ser Top, ou nem saio de casa.
- Claro que é top! Não se preocupe, você sabe como eu sou bem relacionada não é honey –disse sorrindo – Vai ser na casa do Henrique, você lembra dele? Aquele cara com óculos...
- Ecá! Na casa do Henrique? Você só pode estar de sacanagem com a minha cara – disse eu fazendo cara de quem ia vomitar.
- Calma, é que o Henrique está com um primo novo ai. E ele vai na festa, dizem que o cara é um gato! Um deus grego! Eu preciso conferir isso – disse ela toda animada.
- Se é primo do Henrique eu duvido muito que seja gato – eu disse descrente de que o tal cara fosse mesmo bonito do jeito que ela falava.
- Pelo menos é o que falam, todas as meninas morrem de amores por ele, inclusive a Carina.
- A Carina? Tadinha, ela sempre se apaixona pelos caras errados, se não fosse eu pra ficar do lado dela, não sei o que seria – e ri.
- Ela é uma tonta – e gargalhou.
- Não fale assim da minha amiga, só eu tenho o direito de zoar ela – e gargalhei também.
- Ela sentiu sua falta Melanie, sempre me perguntava por você. Te mandou cartas e você nunca as respondeu – disse o intrometido do Pierre, só pra estragar o clima.
- Eu não estava pronta pra falar com ninguém Pierre, tenho certeza que ela vai entender e me perdoar. Depois eu passo na casa dela pra conversarmos melhor – eu disse.
- Ah não! Amanhã você passa lá, hoje você tem que me ajudar a comprar um vestido incrível pra festa. E você já pensou como vai vestida? – Brigitte dizia isso como se no armário dele não houvesse um mísero vestido pra ir.
- Isso não é problema pra mim, honey, esqueceu que eu vim de Paris? – era óbvio que minha mala estava cheia das últimas tendências da Europa e que nem haviam chegado aqui ainda.
- Você não trouxe nada de especial pra sua querida e amada prima? – disse isso com olhos radiantes. Ela sabia que eu traria muitos presentes pra ela.
- É claro que trouxe, não se preocupe. Mas eu não me importo de dar uma volta no shopping pra comprarmos mais – eu disse rindo e já pegando o cartão de crédito.

Tia Adele nos deixou no shopping e segui com as malas, inclusive Pierre, pra casa. Assim que pisei no shopping a primeira coisa que avistei foi uma livraria. Carina adorava aquela livraria, ela passava horas lá escolhendo e devorando os livros, nunca vi ninguém gostar tanto de ler. Eu a acompanhava apenas pra olhar as revistas de moda e o gatinho que ficava tirando poeira dos livros.
- Adam! – eu disse suspirando.
- Quem? – minha prima perguntou.
- Não, ninguém, estava só pensando alto – Adam era lindo, viril, e incrivelmente bom de cama mas era pobre, e eu jamais poderia ser vista com um pobre. A Carina sempre nos encobria, ela era uma boa amiga, nunca revelou esse meu segredinho pra ninguém. Ri mentalmente. Carina era muito diferente de Brigitte, era bom estar com ela, eu não precisava ficar competindo o tempo todo. Com Brigitte sempre tinha aquela disputa velada entre qual prima se daria melhor.
- Você vai no segundo andar, certo? – perguntei à Brigitte.
- Sim – ela respondeu.
- Eu encontro você lá, vou só passar ali e comprar o jornal do dia, ok?
- Ok – ela respondeu com cara de assustada, como se eu nunca lesse jornal na vida. De fato, não lia, mas eu precisava de uma desculpa para ver o Adam.

Ele estava lá longe, no fundo da loja, de costas, espanando a poeira de uns livros. Senti meu coração disparar. Parei, respirei fundo e me aproximei, na esperança de que ele se lembrasse de mim. Lógico que ele se lembraria, ele não poderia ter esquecido dos nossos encontros.
- Adam – eu disse ao mesmo tempo que encostava minha mão no seu ombro largo. Ele se virou – ah! Me desculpa, acho que te confundi com um rapaz que trabalha nessa loja, deve ser o uniforme – e ri sem graça.
- ADAM! Você ainda tem essa pilha pra limpar! – gritou uma velhinha lá do outro lado.
- Não tem problema, como pode ver, você não é a única a me confundir com esse tal de Adam – disse sorrindo.
Senti minhas pernas bambas ao ver aquele sorriso, era do tipo de sorriso que ilumina o mundo. E aquele perfume? Uau! Aquele perfume me fez perder os poucos sentidos que me restaram.
- Bom, pelo o que eu sei, o Adam não trabalha mais aqui, e eu estou no lugar dele – ele disse lançando um sorriso de lado ao mesmo tempo que me dava a notícia meio sem jeito. Eu estava completamente dominada pelo jeito encantador dele. E os olhos? Que olhos! Grandes, como jabuticabas, porém eram azuis. Comei a me sentir tonta, acho que foi porque eu me esqueci de respirar. O que estava acontecendo comigo?
- Ah, que pena – eu disse lamentando, mas no fundo eu não lamentava nada, só pensava na sorte que foi.
- Eu também não sei onde você pode encontrar ele, talvez se você perguntar pra dona Ruth ela saiba te dizer – ele disse tentando me ajudar. Mal sabia ele que eu não queria ajuda, eu não precisava mais do Adam, eu tinha a versão melhorada do Adam, só faltava saber se ele era bom de cama, mas bem, isso não ia demorar muito tempo.
- Na verdade, eu só estava procurando o Adam, porque ele disse que tinha um livro no estoque que eu queria muito ler, será que você pode pegar pra mim? – eu disse sorrindo e lançando o meu olhar mais penetrante possível.
- Claro, só me dizer o nome do livro – ele não parava de sorrir, parecia ter grudado durex na bochecha.
- Ah, é que eu não me lembro o nome, mas eu me lembro da capa. É uma rosa com escrita em azul – ele fez sinal de que não sabia qual livro era enquanto eu dava a descrição – Talvez se você me deixar olhar o estoque eu ache.
- Não sei se clientes podem ir no estoque – ele me disse sem graça.
- Por favor – me aproximei, pude sentir o hálito refrescante de hortelã, vindo da boca dele. Senti que de alguma forma ele também se sentia atraído por mim, mas relutava a sentir isso. Geralmente os homens não relutavam, eles caíam aos meus pés.
- Ok, eu vou te ajudar, mas a dona Ruth não pode saber.
- Ela não vai saber, prometo. Será o nosso segredo – disse isso e pisquei pra ele. Senti que ele ia babar, homens!

- continua -
3 de jul. de 2011

Mais que Amigos - cap XV


No outro dia, como prometido, o Matheus estava lá no portão do colégio me esperando. Eu sorri meio sem graça e coloquei uma mecha de cabelo atrás da orelha.
- Ei, e ai? Melhorou o humor? – ele me perguntou.
- Claro – respondi rindo.
Ele chegou perto do meu ouvido e sussurrou – também depois do amasso de ontem, claro que você ia ficar calminha.
Eu corei na hora – acho que já está na hora de entrarmos, né? – eu sugeri.
- É, está. Mas com uma condição.
- Condição? Qual? – eu estava intrigada.
- Se você me der um beijo – então sorriu e aproximou o rosto do meu.
Eu me afastei, e coloquei a mão na boca dele para afastá-lo – não acho uma boa idéia...
Ele me atropelou com um beijo, de um modo que nem pude terminar a frase. Na verdade, nem consegui terminar aquele pensamento. O Matheus beijava tão bem, era tão carinhoso comigo. Impossível resistir ao charme dele.
O sinal tocou e eu cai na real de que tinha que voltar pra realidade. Quando olhei na direção do portão do colégio o Davi estava lá parado, branco feito cera, nos olhando. Abaixei o rosto com um pouco de vergonha, e por um segundo eu me arrependi de beijar o Matheus, mas foi só por um segundo.
- Você é linda Marina – ele disse puxando meu rosto da direção do olhar dele e me fazendo esquecer de tudo – vamos lá? Estou doido pra apresentar você pros meus amigos.
- Quer tirar onda com a cara deles ou é impressão minha? – eu disse rindo.
- Claro! E você acha que eu ia perder a oportunidade de ficar com a garota mais gata do colégio e não tirar onda com a cara dos meus amigos?
- Quer dizer que eu sou um troféu pra você? – eu disse com um certo tom de indignação na voz.
Ele riu – não, não! Mas se você fosse um troféu seria tipo aquele que a gente ganha na Copa do Mundo – e piscou daquele jeito sedutor dele. Não pude resistir, só dei um soco de leve o braço dele, que aproveitou pra me puxar pela mão em direção ao colégio.

Anfíbios, equações de 1º grau, produção de texto. E minha cabeça estava nas nuvens. Até o sinal tocar. Oba!
- Então, vai me contar esse babado, ou sua amiga aqui vai ser a última a saber? – a Pillar perguntou.
- É isso ai, pensei que nós fossemos amigos – era o Davi que veio não sei de onde se meter na conversa.
- Bom, eu também pensei que fossemos, até você surtar e não querer me receber, nem falar no telefone – eu respondi ironicamente.
- Não vem distorcendo as coisas. Quando eu resolvi namorar com a Camila eu te contei. Não fiquei por ai dando beijos nela pelo colégio – ele disse bravo.
Eu interrompi – NÃO! ESPERA AI! Você ficava de amasso com ela por ai escondido da gente, você só me contou tempos depois. VOCÊ ME ENGANOU!...
- EU TE ENGANEI?! VOCÊ TÁ MALUCA!
- MALUCO ESTÁ VOCÊ, SEU IDIOTA...
- PAROU GALERA! – foi a vez da Pillar interromper – Chega! Dá um tempo Davi – e ela saiu me puxando pelo braço.

- O que foi isso Marina? – a Pillar estava com os olhos arregalados.
- ELE É UM IDIOTA! EU ODEIO ELE!
- Shiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Fala baixo, está todo mundo olhando – ela estava vermelha de vergonha.
- Tá. Tá. É que ele me irrita profundamente. Você viu como ele falou comigo? – eu estava revoltada.
- Calma Marina, e disfarça que o Matheus está vindo ai.
- E ai linda, como foram as aulas? – ele perguntou e me abraçou.
- Um porre. Fiquei o tempo todo pensando em você – então beijei ele. Sabia que o Davi estava olhando de longe.
- Ei! Ei! Ei! Sem beijos e agarramentos no pátio – era o inspetor – você sabem que isso é proibido aqui.
- Ok! Já larguei a moça. Não se preocupe, eu sou um cavalheiro – todos nós caímos na gargalhada.
- Ai, o sinal! Todos pra sala! – disse o inspetor.
- Que droga hein. Eles precisam aumentar o tempo do intervalo, nem deu tempo de eu comprar empadinhas hoje – a Pillar reclamou enquanto ia em direção a sala.
Eu também estava indo, quando o Matheus me segurou pela mão. Olhei na direção dele. Senti que ele queria me beijar, e eu também queria ficar ali com ele.
- Estava pensando se podíamos fazer um programa especial na quinta, o que você acha?
- Hum, que tipo de programa? – eu quis saber.
- Lá em casa. Aniversário do meu pai, ele vai dar um jantar, e disse que eu posso convidar quem eu quiser. E eu quero que você vá.
Era impossível negar um pedido dele com aquele sorriso lindo – ok, estarei lá na quinta – sorri e fui pro teorema de Pitágoras que me esperava. Mas quem se importava com Geometria depois de ganhar um convite do gatinho do colégio?

(continua)
30 de mai. de 2011

Mais que Amigos - cap XIV


Desci as escadas e resolvi não tomar café, estava muito enjoada com tantos problemas. Fui direto para fora procurar um lugar onde o Matheus pudesse não me achar. Carreguei comigo um livro, “Querido John” e fui ler no alto da cachoeira. O som da água parecia me acalmar, e quanto mais eu lia, mais eu sentia a necessidade de que alguém me amasse como o John amava a Savannah. Eu só queria viver um grande amor. Resolvi que era hora de parar de ler aquele livro de romance e ir para a prática, só tinha um jeito de saber quais eram os meus reais sentimentos pelo Matheus.

- Onde você estava querida? – perguntou a minha mãe – nós já estamos indo embora, arrume sua mala.
Subi para o quarto e juntei as minhas coisas, o celular estava apitando e mostrava 3 ligações perdidas do Davi, resolvi retornar a ligação pra saber o que ele queria.

- Então quer dizer que vocês já estão indo embora – era o Matheus interrompendo a minha ligação e entrando no quarto.
- Sim, minha mãe quer ir de uma vez – e desliguei o telefone.
- Que pena, achei que eu ia passar mais um dia com a minha Azedinha – ele disse enquanto me abraçava e me dava um beijinho na ponta do nariz – onde você estava de manhã? Te procurei, estava se escondendo de mim?
- Não, não – eu ri – estava só lendo um livro, dando um tempo pra relaxar e colocar a minha cabeça no lugar.
- Lembra que eu te pedi uma oportunidade pra você ver que eu na era aquele idiota que você pensava – ele disse.
- Sim, lembro e você provou – eu respondi, com um pouco de vergonha por ter que dar o braço a torcer.
- Ótimo! Isso quer dizer que a gente vai se ver amanhã no colégio? – ele disse e sorriu.
- Sim, bem provável. Vamos nos ver assim como nos vemos todos os dias desde a 5ªsérie – e ri.
- Não, não – ele balançou a cabeça – quero dizer como um casal.
- Não sei Matheus, melhor não – e me soltei dos braços dele e indo em direção ao outro lado do quarto.
- Por que não? – ele me segurou pela ponta dos dedos.
-Porque eu não quero que as pessoas fiquem comentando, vai que não dá certo.
- Vai que dá certo – ele me interrompeu.
- Nunca se sabe, vamos esperar e ver o que vai acontecer, ok? – eu propus e ele concordou. Me deu um pequeno selinho e saiu do quarto.

Passei a viagem inteira pensando, quando cheguei em casa estava tão cansada que tudo o que eu fiz foi tomar banho e dormir a tarde inteira. Mais a noite eu acordei com a minha mãe me chamando como sempre, mas dessa vez ela já estava dentro do quarto.
- Queria, acorda! Você tem visita – ela disse.
- Hã?! Quem? – parecia que eu ainda estava dormindo.
- O Matheus, pelo visto esse garoto gostou mesmo de você hein? – e saiu do quarto.
Ah não! Foi tudo o que eu pensei, queria continuar deitada, o que ele estava fazendo na minha casa? Melhor ir resolver logo isso.

Quando eu desci, me deparei com balões de ar cobrindo o rosto de uma pessoa e só conseguia ver as pernas, eu já sabia que era o Matheus, mas o que aqueles balões estavam fazendo ali?
- Advinha quem é? – ele brincou.
- Oi, você não cansa de me ver não? – eu perguntei.
- Pelo jeito você acordou azeda mesmo hoje, o que aconteceu com a garota legal que passou o dia de ontem comigo deitada na grama, rindo e se divertindo? – ele me questionou.
Percebi que eu estava sendo uma chata com ele, e o pobre do garoto fazendo de tudo para me agradar.
- Me desculpa Matheus. Acho que não acordei muito bem – eu disse olhando pra baixo e envergonhada pela minha atitude.
- Marina – ele puxou delicadamente meu rosto de uma forma em que ele pudesse olhar diretamente para os meus olhos, tive a impressão de que ele fosse dizer algo romântico – você está de TPM? – foi tudo o que ele perguntou quebrando o clima.
- O quê?! – eu me afastei.
- Brincadeira! – ele me puxou de volta – já notei que você não está num dia muito bom, mas isso não é motivo pra me fazer desistir de você.
- Você diz isso porque ainda não me viu na TPM – e ambos rimos.
- Você é especial pra mim – ele sussurrou no meu ouvido.
Ele dizer que sou especial pra ele, era tudo o que eu precisava ouvir pra. Era tudo o que eu queria ouvir. Então eu beijei ele, ele soltou os balões e me agarrou. O beijo estava ficando quente quando a minha mãe apareceu.
- Já está tarde não é? – e ficou encarando o Matheus.
- Desculpa, já estou indo – ele disse sem graça e eu vermelha como um pimentão pelo mico que minha mãe estava me fazendo pagar.
- A gente se vê amanhã? – eu perguntei sorrindo.
- Claro! Te espero no portão do colégio, ok?
- Ok – eu respondi, e então ele me deu um ultimo beijo de me fazer suspirar quando fechei a porta.
- Então? É namoro sério vocês dois? – minha mãe quis saber.
- Calma mãe, a gente tá se conhecendo – eu respondi com um riso bobo no canto da boca e subi correndo.
Deitei e fiquei um tempo pensando em como o Matheus era perfeito, e eu devia aproveitar essa chance. A Pillar ia surtar amanhã quando me visse com ele no colégio. E o Davi? Ah! Que Davi que nada! Eu tinha era que concentrar os meus pensamentos no Matheus e tudo daria certo.

(continua)
23 de mai. de 2011

Mais que Amigos - cap. XIII


O Matheus estava sendo um fofo comigo, passamos o resto da tarde juntos perto do balanço. Só conversando e dando pequenos beijinhos. Ele não parecia mais aquele babaca que eu sempre pensei que ele fosse. O sábado estava chegando ao fim, e eu estava me sentindo cansada, afinal o dia foi de grandes emoções.
- Matheus, eu preciso ir dormir – eu disse.
- Mais 5 minutos aqui olhando as estrelas? – ele perguntou.
- Não! – e saí correndo em direção a casa, ele veio correndo atrás até me alcançar na porta do meu quarto.
- Ei, vem cá, você não vai me escapar – ele disse me agarrando pela cintura e com o rosto bem perto do meu.

- Ah vou sim, pelo menos por essa noite – dei um selinho e empurrei ele pra longe. Entrei rápido no quarto e tranquei a porta. Fiquei ali encostada na porta sentindo meu coração bater acelerado, eu só não sabia se ele estava assim por causa do Matheus ou porque eu tinha corrido.
O celular ainda estava em cima da cama com a luz acesa e apitando que tinha ligações perdidas, peguei pra olhar, eram 3 ligações da Pillar, resolvi retornar a ligação pra contar a ela sobre o Matheus.

-Marina! – ela atendeu logo no primeiro toque.
-Pillar! Tenho novidades pra te contar... – eu disse mas logo fui interrompida por um som de choro – o que foi Pillar, você está chorando? – perguntei.

Quando a Pillar me contou o que o Carlinhos tinha feito com ela, eu tive vontade de bater nele até ele quebrar as pernas. Quem aquele ruivo sardento pensava que era pra tratar a minha amiga daquele jeito, eu ía dar o troco nele, custe o que custar. A minha lista de inimigos só estava aumentando, primeiro a Camilla, o Davi e agora o Carlinhos. Fui dormir pensando em um plano maléfico pra fazer ele passar a maior vergonha da vida dele.

Eu estava na praia, quando senti braços me envolveram contra seu corpo. Apenas me ajeitei no colo dele, e continuei olhando o mar, aquela era sem dúvida o melhor abraço do mundo, era o lugar onde eu queria estar, onde eu me sentia segura. Ele me soltou, se levantou e me puxou pela mão em direção ao mar.
- Não Davi – eu ri e disse que não, ele se aproximou e me beijou suavemente. Olhou direto e profundamente em meus olhos como se enxergasse minha alma e continuou a me puxar em direção ao mar, não pude mais negar o pedido. A água quente de final do dia bateu em meus pés e a areia ficou mais fofa, o sol já estava se misturando com o mar na linha do horizonte. Ele me pegou no colo e me beijou intensamente.

Acordei com batidas na porta, logo na melhor parte do sonho. Levantei quase me arrastando da cama e fui abrir a porta pra ver quem era.
- Bom dia minha Azedinha mais linda do mundo – disse o Matheus me agarrando pela cintura e me beijando logo em seguida. Tentei me soltar na hora, mas os braços dele eram mais fortes do que eu.
- Não Matheus! Pára! – eu disse e ele se afastou.
- O que foi? Já acordou azeda? – ele falou brincando.
- Hahahaha! Babaca! Dá o fora daqui – empurrei ele pra fora do quarto – eu vou me arrumar, te encontro lá embaixo – e bati a porta. Eu ainda estava um pouco confusa com o sonho, com o Matheus logo de manhã me agarrando, acho que eu precisava de uma água no rosto e um bom café pra ver se eu conseguia raciocinar melhor.

(continua)
14 de fev. de 2011

Mais que Amigos - Cap XII - Anexo: O Encontro da Pillar


- Ai! – olhei no relógio e vi que faltavam menos de 20 minutos pra hora combinada com o Carlinhos, tudo culpa da ligação do Davi eu pensei – MÃE! ME LEVA NO SHOPPING, TÔ SUPER ATRASADA!
Eu cheguei ao shopping na hora marcada, mas eu não vi o Carlinhos onde nós tínhamos combinado. E agora? – eu pensei. O jeito era esperar ele aparecer.
Olhei no relógio, 5 minutos e nada.
10 minutos e nada.
15 minutos e nada. Resolvi olhar as vitrines pelas lojas perto do local combinado.
20 minutos e nada. Será que eu devia ligar pra ele?
22 minutos e 37 segundo e nada. Será que algo aconteceu? Ele pode ter sido atropelado.
26 minutos e 12 segundos e nada. Será que ele foi abduzido por aliens?
De repente eu sinto umas mãos tamparem os meus olhos – advinha quem é – a voz disse. Mas eu conhecia bem aquela voz.
- Carlinhos! – eu soltei as mãos dele e o abracei forte.
- Desculpa a demora – ele riu meio sem jeito – eu tive que ficar cuidando do meu irmão enquanto minha mãe foi no supermercado.
- Tudo bem. Vamos, tá quase na hora do filme que você queria ver.
- Ah! Jogos Mortais? Você resolveu ver esse? – ele perguntou surpreso.
- Sim, se é o que você gosta, eu assisto – eu respondi.
- Tem certeza? Você vai conseguir dormir depois de ver o filme? – ele perguntou debochando.
Eu ri – Claro! Eu não sou nenhuma criancinha.
- Então vamos! O que você vai querer comer?
- Não sei, pipoca talvez – eu respondi.
- Ah, o clássico pipoca mais refrigerante – ele disse meio entediado.
- E você? Não vai comer pipoca? – eu perguntei.
- Não, vou comprar um açaí shake de 900mL. Acho que dá pra um filme inteiro.
- Açaí shake? – eu perguntei surpresa.
- É. Acho maior barato.
- Hum, tá... acho que vou ficar com a pipoca e refri mesmo – eu disse.
- E aí? Tá com o dinheiro do ingresso? – ele perguntou.
- Quê? – como assim ele tava pedindo dinheiro pro ingresso? Isso não era um encontro?
- Dinheiro, aquela notinha de papel colorida pra você comprar o ingresso – ele disse, parecendo que estava falando com uma débil mental.
- Eu sei o que é dinheiro. Toma – tirei a nota da carteira e entreguei pra ele.
- Vai lá comprar a sua pipoca enquanto eu fico na fila do cinema – ele disse.
Eu fui comprar a pipoca. Não estava entendendo nada. O Carlinhos tava muito estranho. Geralmente ele era tão legal, cavalheiro, o que estava acontecendo? Aproveitei e comprei o açaí shake que ele queria.
- Aqui seu açaí – eu disse entregando o copão.
- Valeu gatinha! – ele disse e me deu um beijo na bochecha. Eu fiquei vermelha na hora. E respondi com um sorriso sem graça.
- Então Carlinhos, porque você resolveu me chamar pra sair? – eu perguntei.
Ele começou a gaguejar algo que eu não consegui entender.
- O que? Fala devagar, não tô entendendo nada do que você está dizendo – eu disse.
- Ah, sabe como é Pillar, você é uma garota, eu sou um homem. As coisas são assim – ele respondeu.
- As coisas são assim? Do que você está falando? – eu perguntei porque não estava entendendo nada.
- Ah Pillar, a galera do futsal disse que te achava gatinha e tals, sabe como é – ele respondeu.
- Você me chamou pra sair pra poder ficar comigo? É isso? – eu perguntei meio sem jeito.
- Se você quiser ficar comigo, de boa. Pego fácil – ele respondeu.
- Pega fácil? – eu me senti um pouco ofendida com o jeito que ele falou, mas talvez fosse coisa da minha cabeça.
- Então, você acha que rola entre a gente? – ele perguntou.
Eu fiquei sem jeito, ele tomou um gole do açaí shake dele. Então logo depois ele chegou perto do meu rosto e me deu um beijinho. Eu mal acreditei que ele tinha feito aquilo, nem fechar os olhos eu fechei de tão pasma que eu estava. Ele olhou nos meus olhos, bebeu mais um pouco do açaí shake dele e me agarrou. Me beijou pra valer. Senti tudo, parecia que ele queria engolir o mundo. Eu mal sabia o que fazer porque a língua dele era muito rápida, então eu pensei que devia beijar com a mesma vontade da dele. Fui com tudo.
- Ai! – nós dois dissemos enquanto nossas bocas se separavam. Eu tinha batido o meu dente no dele. Não acredito que eu estava pagando esse mico na fila do cinema!
- Você não sabe beijar? – ele perguntou.
- Eu, eu eu eu se se sei – eu gaguejei na hora – me desculpa.
- Eu acho que você não sabe beijar – ele disse secamente. Eu queria sumir. Que mico! Sentia meu rosto arder de vergonha.
- Ei Pillar! Dá um sorriso – alguém me chamou do nada, eu não fazia idéia de quem era. Virei pra olhar, o Carlinhos me abraçou e disse:
- Dá um sorriso pra câmera.
- Que câmera? – eu perguntei sem entender nada. De repente os caras do time apareceram e tinha um alto, meio gordo e de cabelos encaracolados com uma máquina fotográfica na mão.
- Dá um sorriso – ele disse.
- Dá um sorriso – o Carlinhos disse e me apertou na cintura.
Eu sorri. Diga xis Pillar, eu pensei. E o flash disparou. Ele caíram na gargalhada, eu não estava entendendo nada.
- Valeu Pilla, a gente se vê por aí – o Carlinhos disse, me deu os ingressos. Soltou os braços da minha cintura e foi cumprimentar os amigos dele.
- Quê? – eu perguntei.
- Aproveita o filme por mim – ele disse e foi embora.
Eu fiquei ali com os ingressos na mão, com uma vontade louca de chorar. Sem entender porque ele tinha feito aquilo comigo. Queria sumir. Só porque eu bati meu dente no dele. Isso não era motivo pra ele me deixar ali sozinha. Quando eu percebi estava todo mundo da fila me olhando. Joguei os ingressos no lixo junto com a pipoca e o refri. Achei que era melhor chorar em casa com meu travesseiro do que na frente de umas 50 cabeças que eu não conhecia. Quanta humilhação!

(continua)

Mais que Amigos - Cap XII - Anexo: A Ligação do Davi


O Carlinhos era o ruivo sardento mais fofo que eu conhecia. Eu era gamada nele desde a 7ª série quando ele ía na minha sala carregando a caixa de livros da professora de Português. Teve aquela vez também na 8ª série quando ele entrou na frente de um carro pra salvar um cachorrinho que ía ser atropelado porque o motorista estava distraído no celular, ele era louco por cães, tinha 4 na casa dele. Ele sempre andava no meio dos populares da escola, embora ele não fosse o tipo popular, na verdade, ele sempre foi o capacho dos populares. Não entendo porque ele agüenta os mandos e desmandos do Matheus Santelli, só porque eles são primos? Isso não é desculpa. Enfim, eu estava muito feliz me arrumando pra encontrar com ele quando o celular toca.
- Ai, onde eu deixei o celular – fiz uma força pra lembrar da última vez que tinha visto o meu BlackBerry preto – ACHEI! – estava debaixo da cama, vai saber como ele foi parar lá. Era o número do Davi, o que será que o Davi queria num sábado a noite? Ele não estava bravo comigo? Atendi o celular:
- Alô
- Pillar? Oi é o Davi, tudo bem?
- Tudo e você? Resolveu voltar a falar comigo? – eu perguntei.
- Águas passadas Pillar – ele respondeu.
- O que aconteceu Davi?
- Nada.
- Nada? Nada!? Se nada aconteceu eu sou a Lady Gaga. Anda, conta o que aconteceu – eu pressionei.
- Eu tava pensando na Marina. Desde quarta-feira que eu não vejo, nem falo com ela. Liguei hoje pro celular dela e ela não atendeu – ele contou.
- A Marina não atendeu a sua ligação! Que milagre.
- Pois é, eu também achei muito estranho. Será que está tudo bem com ela? – ele perguntou. A voz dele parecia de preocupação.
- Acho que sim Davi, eu sei que ela viajou com os pais dela pra um fazenda do amigo do pai dela, algo assim. O celular dela deve estar fora de área – eu supus.
- Não, eu liguei várias vezes, tocava e tocava até cair na caixa postal, eu liguei várias vezes antes do almoço pra ela. E agora cai direto na caixa postal. Será que ela desligou o celular?
- Porque ele desligaria o celular com você ligando pra ela – eu disse ironicamente.
- Você sabe que eu briguei com ela Pillar.
- Jura?! – eu fingi surpresa ironicamente – Então né Davi, deve ser por isso que ela desligou o celular. Você tratou ela mal, normal que a Marina esteja chateada.
- Koé Pillar, a Marina sempre me perdoa, ela não é de ficar fazendo birra. Alguma coisa aconteceu.
- Sei lá. Vai ver ela está muito ocupada pra atender os teus telefonemas – eu disse.
- Ocupada? Ocupada com o quê? A Marina não faz nada.
- Aff Davi! A Marina tem a vida dela. Acorda! O mundo dela não gira em torno do seu. Com sorte ela deve ter arrumado alguém pra ficar lá no lugar onde ela foi.
- Você tá brincando comigo né? – ele riu horrores de deboche no celular.
- Por que você tá rindo? – eu quis saber.
- Imagina se a Marina ía arrumar um peguete, só você mesmo Pillar com essas idéias malucas. A Marina não é desse tipo de menina que fica com qualquer um. Duvido que ela tenha arrumado alguém – ele disse.
- Se eu fosse você eu não duvidava disso, tem muito gatinho dando sopa pra ela.
- Quem? – ele disse isso e morreu de rir de novo no celular.
- O Matheus Santelli, por exemplo – eu disse.
- A Pillar, fala sério. Você acredita mesmo que ele quer alguma coisa com a Marina. Ele é o cara que mais se acha lá no colégio. Justo ele ía dar corda pra Marina – ele parecia estar com ciúmes do Matheus.
- Qual o problema? A Marina é muito bonita. Qualquer um ficaria com ela. E além do mais, você viu eles lá na escola. Não foi por isso que vocês brigaram? – eu disse.
- Foi – ele respondeu meio sem graça – mas eu sei que ele fingiu interesse na Marina só pra me irritar.
- Ai Davi! Chega, cansei de ouvir você falar merda. Tchau! – e desliguei o celular.
O Davi era muito convencido tem hora. Me dava raiva quando ele ficava assim, e isso piorou muito depois que ele começou a namorar a Camila. Mas eu tinha um encontro esta noite, e estava muito ocupada me arrumando.

(continua)
12 de fev. de 2011

Mais que Amigos - cap XII


Não ficamos ali por muito tempo porque já estava na hora do almoço e nossas mães já estavam nos procurando. A minha já estava aos berros, não entendo essa mania que mãe tem de gritar.
- Vamos minha Azedinha linda – ele me puxou pelas mãos em direção a casa.
- Você vai ficar me chamando mesmo de Azedinha? – eu não tinha gostado daquele apelido.
Ele parou e me abraçou com um braço. Eu fiquei sem graça e olhei pros pés dele. Com a outra mão levantou e segurou meu rosto na direção do rosto dele – Eu te chamo de Azedinha de um jeito carinhoso, é o nosso apelido. Eu podia te chamar de Meu Bem, de Amor, de Docinho. Mas nunca seria com o mesmo carinho, porque Azedinha teve um motivo. Não fica brava – ele disse.
- Mas Azedinha é um nome péssimo – eu retruquei.
- Mas que culpa eu tenho se você é era tão azeda comigo! – ele disse brincando.
- Ah odeio você – disse isso e saí brava por ele não fazer a minha vontade.
- Você não me odeia, você não pode mais dizer isso depois dos nossos beijos de hoje – ele me puxou pra perto do corpo dele e me agarrou de um jeito que eu não pude me livrar – Não adianta você tentar fugir, eu sei que você gostou. Dava pra ver nos seus olhos, no arrepio da sua pele. Para de fugir de mim Marina, admite.

Eu não conseguia mais resistir a ele depois dos beijos de hoje, realmente ele tinha me ganhado e eu nem conseguia fingir o contrário. Então eu sorri sem graça, não tinha o que fazer e ri comigo mesma.
- Você é tão charmosa, tão meiga, eu tá na sua Marina – ele disse isso e me beijou do jeitinho de sempre. Do jeito que eu adorava.
- É melhor a gente ir, antes que a minha mãe venha atrás de mim – no fundo eu não queria ir. Queria ficar ali beijando ele a tarde inteira, mas se eu fizesse isso com certeza minha mãe viria atrás e me encheria de perguntas, sem contar que com certeza ela me faria pagar o maior mico.

- Onde você estava? Estou te chamando há tempos – minha mãe disse. Eu pensei: Não, você está me gritando há muito tempo, mães!
- Oi! Eu sou o Matheus – ele cumprimentou a minha mãe, pude ver a boca dela se abrindo de tanta surpresa. Ai que vergonha, ela ía me fazer pagar mico.
- Ah, vocês estão namorando? –ela perguntou. Sabia demorou mais que 15 segundos até ela me fazer pagar um mico.
- Não mãe! Para com isso! – eu disse brava.
- Ainda não, mas muito em breve a senhora vai virar a minha sogra – o Matheus disse e sorriu de um jeito encantador.
- Ah que bom! Pensei que a Marina ía ficar encalhada - ela disse brincando. MAS ISSO NÃO É BRINCADEIRA QUE SE FAÇA!
- MÃE! – eu estava vermelha, quase roxa. Não sabia se era de vergonha ou de raiva.
- Relaxa Marina, sua mãe é engraçada – ele disse num ar tranqüilo.
- Você é um fofo Matheus, estou feliz por vocês estarem juntos – minha mãe disse tentando consertar a situação – Vamos almoçar crianças, a Sr. Santelli mandou preparar o seu prato favorito Marina.

Fomos em direção a uma cerca que tinha perto da cachoeira, eu subi e sentei ali. Ele veio e sentou do meu lado. Me abraçou pela cintura, eu adorava quando ele fazia isso.
- Então Marina, me fala sobre você, eu quero saber tudo.
- Sobre mim? Não tem o que falar – o que ele queria saber? Aquela era uma pergunta muito vaga.
- Sei lá, sua banda favorita. O que você gosta de fazer. Coisas desse tipo – ele sugeriu.
- Hum – eu pensei um pouco, era muito difícil escolher uma banda favorita – gosto de Charlie Brown Jr...
- Mentira! – ele me interrompeu – Sério??
- Sério, você não curte?
- Claro! Mas é muito difícil uma garota gostar também.
- Ah tá! Entendo – eu respondi – Gosto de ir à praia e você?
- É, eu curto de vez em quando surfar
- Ah você é surfista – eu debochei.
- Não, só nas horas vagas. Meu negocio mesmo é na quadra. Gosto de ser o atacante. Por falar nisso, Quinta-feira tem jogo. Eliminatórias dos Jogos Estudantis, você podia aparecer lá na quadra pra torcer pra mim, o que você acha?
- Só se você fizer um gol e dedicar ele pra mim – eu disse.
- Só um? Farei 3, todos dedicados a você.
- E seus amigos? – eu perguntei.
- O que tem os meus amigos? – ele questionou de volta.
- Eles vão zuar você, por você dedicar o gol pra mim – eu disse meio sem jeito.
Ele olhou fixamente nos meus olhos e disse – Eles não vão zuar a futura namorada do artilheiro da escola, relaxa.
- Fu-fu-futura namo-mo-morada? – eu gaguejei. Como assim? Do que ele estava falando? Meu coração foi parar na boca, meu corpo começou a tremer de um jeito incontrolável. A boca ficou seca, os olhos quase encheram de lágrimas (pelo menos isso eu consegui controlar). Eu estava emocionada, ninguém nunca tinha pedido pra namorar comigo antes, mas meus pensamentos foram interrompidos pela fala dele.
- Marina, tenho certeza que eu quero ser mais que um amigo pra você. Tá cedo ainda pra definir alguma coisa, vamos deixar rolar, ok?
- Ok.
Então ele me beijou. Ele não precisava ter dito mais nada, afinal ele já tinha dito tudo que eu queria saber. Segunda feira eu voltaria e esfregaria o meu futuro namorado na cara do Davi, queria ver ele me chamar de encalhada de novo. Mas não era hora de pensar no Davi. Era hora de aproveitar o momento, curtir o resto da tarde na companhia do Matheus, e foi o que eu fiz.

(continua aqui)
9 de fev. de 2011

Mais que Amigos - cap XI


Os lábios dele eram tão quentes e úmidos e o jeito como ele me abraçava. Não tinha como não ficar arrepiada. Ele era um idiota que beijava muito bem, não podia negar esse fato. Eu estava gostando demais de sentir aquilo. Ele colocou a mão debaixo da minha blusa, senti meu corpo inteiro endurecer.
VROOOM! VROOOOM! Que barulho era esse?

- Vem cá Azedinha – ele me puxou pra si.
- Que barulho foi esse? Ah! Meu celular – eu reconheci o som da vibração do celular em cima do móvel. Eu me levantei e fui olhar. Era o Davi. Por que ele estava me ligando? Nós não estávamos brigados?
- Deixa esse celular pra lá – o Matheus tirou o celular da minha mão e jogou ele na cama.
- Não – mas era tarde demais. O Matheus me pegou e me colocou na parede e começou a me beijar na intensidade que tínhamos parado. Mas eu não estava mais afim, estava pensando no Davi e no por que dele estar me ligando.
- Não Matheus! Para – e tentei me afastar dele.
- Minha Azedinha linda – ele sussurrou no meu ouvido e fixou o olhar no meu – estamos indo rápido demais pra você né? Tudo bem, eu vou te respeitar. Não vou te forçar a fazer nada, ok?
- Ok.
Ele me deu um beijinho suave na boca e saiu do meu quarto. Quando eu o vi saindo pela porta eu fiquei triste, não sei por quê. Agora era só eu e o celular tocando com o Davi do outro lado da linha. O meu coração tava apertado, senti um nó na garganta. Eu só não sabia se aquela sensação ruim era por causa do Matheus ou do Davi. Então o celular parou de tocar. Eu peguei ele, 2 ligações perdidas do Davi. Sentei na cama e fiquei olhando pro celular pensando se eu deveria retornar a ligação. Fiquei um bom tempo pensando nas palavras do Davi e no que ele tinha me feito sofrer. Depois pensei no Matheus e como ele estava sendo legal comigo desde o vestiário, mesmo eu tendo tratado ele tão mal. Pensei que o Davi não tinha confiado em mim, de todas as coisas essa foi a que mais me doeu. Pensei no Matheus e em como ele era um babaca, mas no fundo eu tinha me divertido na cachoeira, embora nunca fosse contar isso pra ele. Pensei em como o Davi fazia meu coração disparar, só de pensar nele. Levantei e fui para a janela, apesar do dia frio, era um bonito dia. Lá fora perto do balanço estava o Matheus sentado no chão olhando pra cachoeira. Então me lembrei que quando estávamos na cachoeira meu coração estava acelerado, lembrei de como tinha gostado do beijo dele e em como ele tinha me respeitado quando eu disse não.
Desliguei o celular e guardei ele no criado mudo. Saí correndo pelas escadas, minha mãe resmungou algo, mas eu nem consegui decifrar o que ela disse. Corri até perto do balanço e parei. O Matheus olhou pra trás e se levantou. Eu senti minha respiração ofegante. Ele sorriu.
- Você se tornou o idiota mais fofo que eu conheço. Parabéns! Você me ganhou – eu sorri e corri na direção dele.
Ele também veio na minha direção com aquele sorriso lindo. Eu pulei no colo dele, ele me rodou no ar. Ele fixou o olhar no meu. Então eu sorri e beijei ele.

(continua aqui)
7 de fev. de 2011

Mais que Amigos - cap X


Que garoto idiota eu pensei. Que idéia a dele de me jogar na cachoeira, e se eu não soubesse nada? Eu estava nadando em direção a margem quando ele me alcançou e me segurou pela cintura. Eu me virei e tentei empurrar ele, mas era tarde demais. Os lábios dele já estavam colados nos meus. Então senti a mão dele subir pelas minhas costas e parar na minha nuca, isso me arrepiou. Eu queria retribuir, mas...
- MAAAAARINA! MAAARINA! – era a voz da minha mãe. Eu logo me afastei do Matheus e virei na direção do som. Bem longe eu podia ver a minha mãe procurando por mim. Pensei: mães, aff!
- Tenho que ir Matheus – eu disse pra ele.
- Tudo bem, eu entendo – e sorriu. Me derreti, ele era um completo idiota, mas tinha uma pegada ótima. E qualquer mulher sabe que uma pegada é fudamental.
A mãe do Matheus me mostrou o meu quarto e onde era o banheiro. Peguei uma roupa seca, toalhas e fui tomar banho. Enquanto eu tomava banho eu pensava no que tinha acontecido entre o Matheus e eu. Na hora em que tudo aconteceu, ele me deixou com muita raiva, mas agora. Agora eu achava tudo fofo, e perfeito pro primeiro beijo. Tudo bem que foi só um selinho, mas foi tão fofo e ao mesmo intenso a ponto de me arrepiar. E cada vez que eu pensava no que tinha acontecido, mais vontade eu tinha de beijar o Matheus. Acho que ele merecia uma chance, talvez ele me surpreendesse. Sequei meu cabelo e pensei no Davi. Ele estava tão longe de mim pela distância. Eu estava tão distante dele, na verdade, distante do coração dele. E ainda por cima ele estava com a Camila. Uma lágrima escorreu. Olhei meu reflexo e decidi que aquela teria sido a última lágrima. Eu esqueceria o Davi ficando com o Matheus! Eu saí do banheiro decidida a beijar o Matheus.

Quando eu cheguei no meu quarto o Matheus estava lá, meu coração disparou. Não sei dizer se foi de susto, ou se meu plano de gostar do Matheus estava começando a dar certo.
- Ei Azedinha, demorou hein?! – ele disse de um jeito tão meigo que nem pude ficar brava. Ou será que eu estava me apaixonando já?
- O que você está fazendo aqui Matheus? – eu perguntei.
- Vim te trazer o chocolate quente – ele respondeu.
- Ah, pensei que você ía me jogar pela janela dessa vez? – eu disse sarcasticamente. Ele riu.
- Não – então ele fechou a porta do quarto – dessa vez eu vou te jogar na cama – ele disse isso e me pegou no colo.
- Não Matheus! Você tem que parar com essa sua mania que me pegar no colo e me jogar depois – eu briguei com ele.
- É por uma boa causa – ele disse.
- Boa causa? – ele não batia bem dos miolos.
Dessa vez pelo menos ele teve o bom senso de não me jogar. Ele me colocou na cama com todo jeito do mundo, como se eu fosse um vaso de vidro e ele não quisesse quebrar. Então ele deitou em cima de mim. Meu coração acelerou. O que ele estava fazendo? Eu tentei empurrar ele, foi quando ele olhou nos meus olhos e disse:
- Me dá um crédito esse final de semana. Deixa eu te provar que não sou o babaca que você pensa. Fica comigo. Se depois desse final de semana você não quiser nada, eu vou respeitar sua decisão.
Eu fiquei muda. Não conseguia responder absolutamente nada. Meu coração batia tão rápido, eu não conseguia respirar direito. Não tinha o que dizer. Então ele me deu um beijinho na testa. Depois um no nariz. Ele aproximou o nariz dele pra eu fazer o mesmo, eu dei o beijinho delicado. Quando eu senti que o próximo era na boca bateu um pânico enorme, mas não deu muito tempo de sentir o pânico porque logo ele me beijou. Só me lembrei de fechar os olhos. Ele me deu pequenos beijinhos e eu fui relaxando, abracei ele e ao mesmo tempo passava a mão no cabelo dele. Foi tão suave. Então ele me beijou pra valer. Os lábios dele eram quentes e tinham sabor de chocolate, eu correspondi ao beijo. Pude perceber que ele estava arrepiado também pelos pêlos da nuca dele. Ele foi descendo a mão dele até a minha cintura e colocou a língua dentro da minha boca. No começo eu achei estranho o jeito como ele fazia, mas depois eu me acostumei e percebi que era bom. Ele desceu um pouco mais a mão e parou na minha coxa, aproximou mais o quadril dele no meu e eu senti algo duro e então tentou colocar a mão por dentro da minha saia. Empurrei ele, aquilo estava indo muito longe.
- Desculpa, eu não resisti – ele disse meio sem graça.
- Tudo bem – eu disse mais sem graça ainda.
- Por favor me desculpa, eu me animei demais – Ele insistiu.
- É, eu percebi que você se animou demais. Tudo bem, relaxa. Acontece – eu disse.
Ele parecia tão sem jeito por eu ter percebido que ele tinha ficado “animado” com o beijo. Eu me aproximei dele e dei um beijinho nele, ele sorriu, me agarrou e nos beijamos com a mesma intensidade de onde tínhamos parado.
13 de jan. de 2011

Mais que Amigos - Cap IX


Passou quarta, passou quinta. Hoje já era sexta e eu não sabia o que fazer pra desmascarar a Camila. O Davi precisava acreditar em mim, mas como se ele estava cego de amor pela vadia. Aquilo doía mais que tudo, não só contente em perder o cara que eu gostava, eu tinha perdido o meu melhor amigo.
- O Davi é um idiota mesmo – dizia a Pillar.
- E pior é que ele me tratou super mal.
- Essa garota tá virando a cabeça dele, pior é que eu contei pra ele também o que ela fez aquele dia, mas ele não acreditou, e agora não tá falando comigo também.
- Ele tá agindo como um babaca, Pillar.
- Precisamos desmascarar ela, mas como?

- Como? – perguntei.
- Eu não sei. Vamos dar um tempo, uma hora ela vai se revelar, e aí a gente ataca.
- A gente ataca? – eu ri, só a Pillar mesmo pra me fazer rir.
- É, atacamos – ela olhou como se tivesse feito o plano mais maléfico do mundo – vem, vamos comprar uma empadinha.
- Vamos – Pillar e as empadinhas, eu ri – e aí, seu encontro com o Carlinhos é amanhã né? Tá ansiosa?
- Muito, quer passar lá me casa amanhã pra me ajudar a escolher uma roupa?
- Hum, amanhã é sábado né? Não vai dar, eu vou pra uma fazenda com meus pais. Vou aproveitar pra chorar minhas mágoas com as vaquinhas – eu tentei fazer uma piada.
- Tá bem, de noite eu ligo te contando tudo, ok.
- Ok, vou querer saber de tudo!

- MARINAAAAAAAA!
- Hã?! - eu ainda estava zonza.
- JÁ ACORDOU? ANDA LOGO!  - ela continuou berrando.
- JÁ! – não agüentava aquela mania insuportável da minha mãe de me acordar aos berros, estresso fácil assim. Não há ser humano que acorde de bom humor com o gritos da mãe.
Era melhor eu levantar e me arrumar antes que ela voltasse a me berrar. Eu não estava com muita inspiração pra me arrumar hoje. Estava meio frio, então na fazenda deveria estar muito mais. Achei melhor vestir uma blusa de mangas compridas simples e uma calça jeans, um all star azul básico. Na verdade, eu queria ficar em casa, lendo, no meu quarto, sozinha, sem ninguém me perguntando “E aí, já arrumou um namorado?” Isso só ia fazer parecer que o Davi estava certo, eu era uma encalhada. Dei um suspiro de resignação, eu tinha perdido o Davi. Ao mesmo tempo uma lágrima escorreu dos olhos até o queixo, eu não podia desistir dele, eu não podia desistir de ter o cara que eu amava do meu lado e ser feliz com ele. Mas o que eu poderia fazer? Dar tempo. Isso era a resposta pra tudo. E eu odiava essa resposta, sempre fui muito ansiosa, pra tudo, pra resolver tudo! Dar tempo ao tempo era a coisa mais difícil que eu poderia fazer.
- Está pronta? – minha mãe pôs só a cara no vão da porta.
- MÃE?! Poxa, quantas vezes tenho que pedir pra bater antes? – eu disse aborrecida.
- Ai Marina, você e suas manias, esqueceu que eu limpei o seu bumbum, o que você quer esconder?
- ECÁ mãe! Saí daqui, você e essas suas lembranças constrangedoras – e atirei uma almofada na porta.
- Ok. Fui, mas anda logo – então ela fechou a porta. Nem sofrer mais em paz eu podia.

- Lugar bonito – eu disse pro meu pai.
- Eu sabia que você ia gostar, quando os amigos do seu pai nos chamaram pra passar o final de semana aqui achei perfeito! – disse a minha mãe se metendo no assunto.
- É, o Santelli foi muito simpático em nos convidar, por favor querida, seja gentil – ele disse pra mim, com uma cara de suplicação.
- Mas eu sempre sou gentil – sorri inocentemente pra ele.
- Eu conheço o seu mau humor querida, por favor, poupe-nos dele hoje.
- Ok pai! – se meu pai estava me pedindo isso, é porque eu mau humor já devia estar passando dos limites, talvez fosse hora de eu parar e agradá-los um pouco, afinal, apesar de tudo eles eram bons pais.
- Um balanço! – e saí correndo.
Eu adorava balanços, desde pequena, era emocionante, parecia que eu ía sair voando. Hoje em dia não causava mais essa impressão, mas era bom de qualquer forma. O balanço ficava perto de um riacho e mais pra cima dava pra ver uma cachoeira, uma vista muito bonita. Eu poderia sentar ali e ler o meu livro em paz, aquele barulho era tão agradável, da água na pedra. Se não estivesse tão frio, um banho de cachoeira ía ser bom. Serviria como um banho de chuva, pra lavar a alma e me fazer pensar numa solução.
- AAAAAAAAAAAAAA!
- AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! – eu senti umas mãos nas minhas axilas. Logo eu pulei do balanço e ouvi uma gargalhada.
- KKKKKKKKKKKKKKKKK você assusta tão fácil, que bobinha KKKKKKKKKKKKKKKKK – disse isso e saiu correndo.
- AH MATHEUS! EU VOU TE MATAR! – sai correndo atrás dele, e ele ria cada vez mais alto.
Corri morro acima, na direção que ele estava indo, mas ele começou a ir pro meio da mata, então eu parei.
- Tá com medinho tá? – ele me provocou – além de bobinha é medrosa também – e gargalhou.
- IDIOTA, IMBECIL, SEU MANÉ! Você me paga quando eu te pegar! – eu estava quase alcançando ele.
- OPA! ME PEGA? – ele parou de repente, eu quase dei uma topada nele, mas consegui frear – pega mesmo? – estávamos perto, me olhou com ar de provocação. Eu podia sentir a minha respiração ofegante de tanto correr, e a dele também, mais ao fundo o som da cachoeira.
- Não seja idiota, você entendeu – eu dei um tapa no ombro dele.
Ele me puxou pela cintura e chegou o rosto mais perto do meu. Eu tentei me livrar, mas ele era quase um armário de pessoa, não dava pra lutar muito contra aqueles músculos. Olhei em seguida pro rosto dele, o queixo largo, a boca carnuda e vermelha, os olhos claros combinavam perfeitamente com as sobrancelhas grossas. Meus olhos encontraram com o dele, então ele sorriu, encantadoramente. Dentes perfeitos pra uma boca mais perfeita ainda. Ele era realmente muito bonito, mas era um babaca. Por que ele não podia ser um cara legal? Por que eu só conheço babacas?
- Eu não sou o idiota que você pensa que eu sou Marina – ele disse ainda colado em mim – eu queria que você me conhecesse mais, pra tirar essa impressão ruim que tem de mim.
- Tirar a impressão ruim que eu tenho de você? Nem se você nascesse de novo querido!
- Querido? É, estamos evoluindo – ele se aproximou, senti que ía me beijar. Pensei e agora, será que eu se o Davi souber que eu beijei ele, vai ficar mais bravo ainda comigo? Por que raios eu estou pensando no Davi ainda!? Ele é outro idiota. E se isso ía irritar o Davi, me parecia uma boa idéia. Então aproximei meu rosto do dele, e nossas bocas ficaram bem próximas.
- Qual apelido eu darei pra você, vejamos Docinho? Não! Você é muito azeda pra ser chamada de Docinho. Já sei! Azedinha! – ele disse e sorriu.
- O quê?! – me afastei na hora dele. Pude sentir meu rosto queimando de raiva. Azeda? Quem ele pensa que é pra me chamar de AZEDA!
- Isso mesmo, Azedinha, perfeito pra você!
- Você é realmente o babaca que eu penso que você é! – eu disse muito irritada e saí em direção ao balanço.
Ele riu enquanto me olhava descer o morro. E depois correu na minha direção e me pegou no colo.
- Você tá muito esquentadinha pro meu gosto. Tá na hora de esfriar essa cuca quente menina! – e continuou correndo comigo nos braços pra fora da mata até chegar numa pedra. Olhei pra frente, tinha a cachoeira, olhei pra baixo da pedra, era o rio que se formava da cachoeira.
- NÃAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAO! – só deu tempo de gritar isso, e eu já estava debaixo d’água. Maldito!