30 de mai de 2011

Mais que Amigos - cap XIV


Desci as escadas e resolvi não tomar café, estava muito enjoada com tantos problemas. Fui direto para fora procurar um lugar onde o Matheus pudesse não me achar. Carreguei comigo um livro, “Querido John” e fui ler no alto da cachoeira. O som da água parecia me acalmar, e quanto mais eu lia, mais eu sentia a necessidade de que alguém me amasse como o John amava a Savannah. Eu só queria viver um grande amor. Resolvi que era hora de parar de ler aquele livro de romance e ir para a prática, só tinha um jeito de saber quais eram os meus reais sentimentos pelo Matheus.

- Onde você estava querida? – perguntou a minha mãe – nós já estamos indo embora, arrume sua mala.
Subi para o quarto e juntei as minhas coisas, o celular estava apitando e mostrava 3 ligações perdidas do Davi, resolvi retornar a ligação pra saber o que ele queria.

- Então quer dizer que vocês já estão indo embora – era o Matheus interrompendo a minha ligação e entrando no quarto.
- Sim, minha mãe quer ir de uma vez – e desliguei o telefone.
- Que pena, achei que eu ia passar mais um dia com a minha Azedinha – ele disse enquanto me abraçava e me dava um beijinho na ponta do nariz – onde você estava de manhã? Te procurei, estava se escondendo de mim?
- Não, não – eu ri – estava só lendo um livro, dando um tempo pra relaxar e colocar a minha cabeça no lugar.
- Lembra que eu te pedi uma oportunidade pra você ver que eu na era aquele idiota que você pensava – ele disse.
- Sim, lembro e você provou – eu respondi, com um pouco de vergonha por ter que dar o braço a torcer.
- Ótimo! Isso quer dizer que a gente vai se ver amanhã no colégio? – ele disse e sorriu.
- Sim, bem provável. Vamos nos ver assim como nos vemos todos os dias desde a 5ªsérie – e ri.
- Não, não – ele balançou a cabeça – quero dizer como um casal.
- Não sei Matheus, melhor não – e me soltei dos braços dele e indo em direção ao outro lado do quarto.
- Por que não? – ele me segurou pela ponta dos dedos.
-Porque eu não quero que as pessoas fiquem comentando, vai que não dá certo.
- Vai que dá certo – ele me interrompeu.
- Nunca se sabe, vamos esperar e ver o que vai acontecer, ok? – eu propus e ele concordou. Me deu um pequeno selinho e saiu do quarto.

Passei a viagem inteira pensando, quando cheguei em casa estava tão cansada que tudo o que eu fiz foi tomar banho e dormir a tarde inteira. Mais a noite eu acordei com a minha mãe me chamando como sempre, mas dessa vez ela já estava dentro do quarto.
- Queria, acorda! Você tem visita – ela disse.
- Hã?! Quem? – parecia que eu ainda estava dormindo.
- O Matheus, pelo visto esse garoto gostou mesmo de você hein? – e saiu do quarto.
Ah não! Foi tudo o que eu pensei, queria continuar deitada, o que ele estava fazendo na minha casa? Melhor ir resolver logo isso.

Quando eu desci, me deparei com balões de ar cobrindo o rosto de uma pessoa e só conseguia ver as pernas, eu já sabia que era o Matheus, mas o que aqueles balões estavam fazendo ali?
- Advinha quem é? – ele brincou.
- Oi, você não cansa de me ver não? – eu perguntei.
- Pelo jeito você acordou azeda mesmo hoje, o que aconteceu com a garota legal que passou o dia de ontem comigo deitada na grama, rindo e se divertindo? – ele me questionou.
Percebi que eu estava sendo uma chata com ele, e o pobre do garoto fazendo de tudo para me agradar.
- Me desculpa Matheus. Acho que não acordei muito bem – eu disse olhando pra baixo e envergonhada pela minha atitude.
- Marina – ele puxou delicadamente meu rosto de uma forma em que ele pudesse olhar diretamente para os meus olhos, tive a impressão de que ele fosse dizer algo romântico – você está de TPM? – foi tudo o que ele perguntou quebrando o clima.
- O quê?! – eu me afastei.
- Brincadeira! – ele me puxou de volta – já notei que você não está num dia muito bom, mas isso não é motivo pra me fazer desistir de você.
- Você diz isso porque ainda não me viu na TPM – e ambos rimos.
- Você é especial pra mim – ele sussurrou no meu ouvido.
Ele dizer que sou especial pra ele, era tudo o que eu precisava ouvir pra. Era tudo o que eu queria ouvir. Então eu beijei ele, ele soltou os balões e me agarrou. O beijo estava ficando quente quando a minha mãe apareceu.
- Já está tarde não é? – e ficou encarando o Matheus.
- Desculpa, já estou indo – ele disse sem graça e eu vermelha como um pimentão pelo mico que minha mãe estava me fazendo pagar.
- A gente se vê amanhã? – eu perguntei sorrindo.
- Claro! Te espero no portão do colégio, ok?
- Ok – eu respondi, e então ele me deu um ultimo beijo de me fazer suspirar quando fechei a porta.
- Então? É namoro sério vocês dois? – minha mãe quis saber.
- Calma mãe, a gente tá se conhecendo – eu respondi com um riso bobo no canto da boca e subi correndo.
Deitei e fiquei um tempo pensando em como o Matheus era perfeito, e eu devia aproveitar essa chance. A Pillar ia surtar amanhã quando me visse com ele no colégio. E o Davi? Ah! Que Davi que nada! Eu tinha era que concentrar os meus pensamentos no Matheus e tudo daria certo.

(continua)
23 de mai de 2011

Mais que Amigos - cap. XIII


O Matheus estava sendo um fofo comigo, passamos o resto da tarde juntos perto do balanço. Só conversando e dando pequenos beijinhos. Ele não parecia mais aquele babaca que eu sempre pensei que ele fosse. O sábado estava chegando ao fim, e eu estava me sentindo cansada, afinal o dia foi de grandes emoções.
- Matheus, eu preciso ir dormir – eu disse.
- Mais 5 minutos aqui olhando as estrelas? – ele perguntou.
- Não! – e saí correndo em direção a casa, ele veio correndo atrás até me alcançar na porta do meu quarto.
- Ei, vem cá, você não vai me escapar – ele disse me agarrando pela cintura e com o rosto bem perto do meu.

- Ah vou sim, pelo menos por essa noite – dei um selinho e empurrei ele pra longe. Entrei rápido no quarto e tranquei a porta. Fiquei ali encostada na porta sentindo meu coração bater acelerado, eu só não sabia se ele estava assim por causa do Matheus ou porque eu tinha corrido.
O celular ainda estava em cima da cama com a luz acesa e apitando que tinha ligações perdidas, peguei pra olhar, eram 3 ligações da Pillar, resolvi retornar a ligação pra contar a ela sobre o Matheus.

-Marina! – ela atendeu logo no primeiro toque.
-Pillar! Tenho novidades pra te contar... – eu disse mas logo fui interrompida por um som de choro – o que foi Pillar, você está chorando? – perguntei.

Quando a Pillar me contou o que o Carlinhos tinha feito com ela, eu tive vontade de bater nele até ele quebrar as pernas. Quem aquele ruivo sardento pensava que era pra tratar a minha amiga daquele jeito, eu ía dar o troco nele, custe o que custar. A minha lista de inimigos só estava aumentando, primeiro a Camilla, o Davi e agora o Carlinhos. Fui dormir pensando em um plano maléfico pra fazer ele passar a maior vergonha da vida dele.

Eu estava na praia, quando senti braços me envolveram contra seu corpo. Apenas me ajeitei no colo dele, e continuei olhando o mar, aquela era sem dúvida o melhor abraço do mundo, era o lugar onde eu queria estar, onde eu me sentia segura. Ele me soltou, se levantou e me puxou pela mão em direção ao mar.
- Não Davi – eu ri e disse que não, ele se aproximou e me beijou suavemente. Olhou direto e profundamente em meus olhos como se enxergasse minha alma e continuou a me puxar em direção ao mar, não pude mais negar o pedido. A água quente de final do dia bateu em meus pés e a areia ficou mais fofa, o sol já estava se misturando com o mar na linha do horizonte. Ele me pegou no colo e me beijou intensamente.

Acordei com batidas na porta, logo na melhor parte do sonho. Levantei quase me arrastando da cama e fui abrir a porta pra ver quem era.
- Bom dia minha Azedinha mais linda do mundo – disse o Matheus me agarrando pela cintura e me beijando logo em seguida. Tentei me soltar na hora, mas os braços dele eram mais fortes do que eu.
- Não Matheus! Pára! – eu disse e ele se afastou.
- O que foi? Já acordou azeda? – ele falou brincando.
- Hahahaha! Babaca! Dá o fora daqui – empurrei ele pra fora do quarto – eu vou me arrumar, te encontro lá embaixo – e bati a porta. Eu ainda estava um pouco confusa com o sonho, com o Matheus logo de manhã me agarrando, acho que eu precisava de uma água no rosto e um bom café pra ver se eu conseguia raciocinar melhor.

(continua)